terça-feira, 29 de novembro de 2011

Arde-me na consciência uma febre de ser e na alma me gela um qualquer sonho de sentir.
É contraditória esta ilusão que me faz pensar-te..., tentativa vã de alterar um destino que há muito tracei em mim mesma.
Foi uma escolha minha.
Fui deusa num mundo sem tempo e a este determinaste, talvez inconscientemente, condicionar-me.
Ridiculamente existo não para um momento que será nem tão-pouco para um instante de ser, mas para o ter sido... nesse espaço intemporal em que não fui, onde não fomos.
Recrio, em mim, todos os beijos irreais que jamais existirão.
Desenho, sobreposto ao meu, o mapa do teu corpo e estremeço... quase te sinto a pele na minha e ao som de um gemido inaudito vibro numa ausente exalação de ti.
Suspiro os segredos do universo num perfeito êxtase de sobriedade enlouquecida...
E é loucura este querer-te,... transcendente alucinação de uma mente que teima em imaginar-te.
Pois então que o seja...
Que sejam as ilusões de vir a ter-te os motores que me movem como força imparável neste ébrio apaixonar dos sentidos quando nada sinto para além do que por ti sinto.

sábado, 19 de novembro de 2011


Não é minha a minha alma... É tua!
Procuro em todos os rostos que vejo um olhar onde te possa novamente encontrar, mas nenhum deles é... o teu.
Apaixonei-me e nem sei se estou de facto apaixonada... Só tu poderias dizer-mo. Só tu, melhor do eu própria, sabes verdadeiramente o que sinto.
Só tu me adivinhas cada palavra, cada gesto, cada gemido do meu corpo, cada pensamento como se todos e cada um deles teus fossem somente... e a verdade é que são.
Sabes de mim partes de quem sou que nem eu sei...
Quando julgo pensar nela é o meu cérebro que se força a transformar-te a imagem,... é o meu ser que se amedronta por saber que o meu peito baterá sempre só por ti, que só tu és em cada lágrima que deito sorriso perfeito, a real causa e efeito de tudo quanto em mim existe.
Se a quero e desejo é porque ela, de certo modo, me faz amar-te um pouco mais... como se nela desvendasse de instante a instante, uma e outra vez, cada parte de ti..., cada fragrância, numa perpétua ânsia, da tua essência onde habita ainda a minha própria.
Hoje em dia é silencioso este grito que nos rompe a alma como quem embala e cala em si a crença de um amor único.
Pudesse eu invocar-te o nome e o vento levar-me a ti... Ser de cada estrela o brilho das tuas noites e pertencer-te em cada brisa das saudades que me dissipam nesta tua ausência!
Fosse eu uma gota de inocência que guardasses para sempre em ti ou o choro profundo de um amor que se sente lá bem no fundo,... como se pudesse ser uma vez mais esse teu olhar ou até mesmo saber, como quem descobre o que o teu céu encobre, como te posso, realmente, amar!
(Pode parecer pouco o que sinto, mas ao sentir-te... em mim comporto, inteiro, o universo!)  Gosto-te, miúda!*

sábado, 12 de novembro de 2011

Virar de página


Nas estrelas revejo o teu olhar...,
nelas divago por todas as partes de ti.
Nesse desejo de o ser te saborear
me encontro no mesmo sonho em que te perdi.

Não te posso mais querer.
Só, me sinto neste sentir.
É demasiado forte esta dor, este sofrer...
Mais do que em mim posso, agora, permitir.

Em ti esta vontade não existe
e em mim só ela persiste
numa ânsia que me não acalma.

Dizes-me o que quero ouvir, contas-me o mundo...
mas é segredo dos deuses o que sentes lá no fundo.
E não é já suficiente esta chama que me devora, como quem chora, a alma.

(So... go and conquer the world. Go and make all your dreams come true. Go!...cause I'm letting you go.) 
Ainda assim... Gosto-te, AB!*

sexta-feira, 11 de novembro de 2011


Como posso eu dizer-te?!
Se em ti me sonho é porque não te esqueço,
porque não suporta a minha alma perder-te...
E na tua ausência, um pouco mais, padeço.
 
Morre-me o sentir se não te sinto.
No vazio, o meu corpo busca o teu em vão...
Arco-íris no fundo do que em mim é céu extinto,
pedaço de fantasia, gota de ilusão.

Princesa do meu mundo encantado
na noite de ti jaz o meu ser inacabado.
Na sombra de cada meu detrito

fazes-te o bater mais forte do meu peito.
E nesse teu olhar por onde me espreito
me vejo, contigo, além do infinito.

("Matam-me os dias, as mãos vazias... de ti."  
*E enquanto não me é permitido sentir-te, vou sonhando contigo..., me reinventando em ti para que um dia, se assim o quiseres, te possas também criar em  mim. Gosto-te, AB!

domingo, 6 de novembro de 2011


Sinto a garganta secar...
Com a língua, dormente de não sentir, tento em vão humedecer os lábios como se, nesse imaginário gesto, estes os teus beijassem numa perfeita subtileza de tocar-te.
É um deserto o meu corpo que estremece em terramotos de desejos que não posso ter.
No meu peito palpita, incessante, a tua imagem... e eu, não posso ver-te.
Na minha mente se expressa a voz da tua alma e ouvi-la, uma vez mais, não posso.
Em mim vibra, como silencioso eco de um sonoro querer-te, a pele mais funda do meu ser... e é à superfície de pensar-te que, em ti, me volto a perder.
Espero...
Desespero...
Não te encontro.
De ti não me chegam as palavras que tão violentamente anseio que digas.
Só a tua ausência parece vir ainda abraçar-me..., como se me embalasse a vida em sonhos de nada.
Mas eu continuo a buscar-te..., a procurar por ti na tua própria inexistência de querer existir em mim.
Talvez um dia voltes...
Talvez não tenhas sequer chegado a partir....
Talvez...
Talvez jamais tenhas estado.
E é neste estado de absorção de um sentimento que sei teu que mais uma vez adormeço num desequilibrado sonho de te beijar, de sentir-te...

(Quero calar-me..., acalmar esta vontade, mas a verdade é que não consigo. Perdoa-me!)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011


Chamo por ti e, em retorno, não te oiço a voz.
Estendo os braços a tentar alcançar-te, mas cada vez estás mais distante..., mais longe de me deixar pertencer-te.
Relembro-te o corpo que não percorri, onde me não pude perder; o rosto que me contou as mais secretas histórias da tua vida, aquelas que não vivi contigo.
Recordo-te o sorriso e nele ainda hoje me deixo ficar..., como se ele me levasse a uma felicidade para além de mim e me captasse  a alma na memória de um momento em que fui tua.
E no teu olhar... pois bem, nesse ainda sou. Através dele, sem pedir licença, entrei no universo do teu ser e desde então só nele sonho, só nesse brilho celestial me sinto verdadeiramente e te sinto.
Cativaste-me!
Capturaste-me, em ti, no mesmo instante em que me libertaste de mim.
Por isso, sou tua e, mesmo que o não diga, sê-lo-ei sempre..., para sempre...

("Longe do mundo, mas perto de ti", AB!*)

Abro a janela e a noite traz-me o teu cheiro.
Simbólico portal para outros tempos, aqueles em que fomos,... em que ainda vou sendo em dias como hoje.
A chuva traz-me cada toque teu e o frio, o teu calor.
Cada som que oiço me transporta para cada gemido, a cada grito nosso naquelas infindáveis noites ébrias de amor em que saciávamos a sede de infinito, de nós, num sono abraçado de corpos, num beijo de almas.
Adormecíamos agarradas ao sonho e acordávamos entrelaçadas numa ilusão.
Hoje, recordo-te cada traço e em mim te traço eterna.
Em que ponto de mim me perdi não te sei dizer... Nem tão-pouco sei determinar o momento em que deixámos de ser porque ainda te sinto como se aqui estivesses, como se te sentisse as mãos a percorrerem a totalidade de mim e a minha pele a desvendar cada pedaço do teu ser.
Guardo-te, em silêncio, em cada estrela que alcançámos nesses perpétuos instantes de sobriedade divina e, em mim, te imortalizo na certeza de para sempre te ter perdido e em ti me ter encontrado.
Inspiro-te uma última vez e fecho a janela...
Hoje dormirás, uma vez mais, em mim!

("Come what may, I will love (...) until the end of time".) 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Desilude-te


Não te iludas..., não serei uma de duas ou de quantas quiseres.
Serei só eu ou então não serei.
E se, por algum obscuro acaso desta vontade de querer-te, decidir ainda assim sê-lo... desengana-te. Serás, também tu, uma de tantas quanto eu queira.
É contra-senso querer ser-se a única e não querer, unicamente, um só alguém.
Dos outros recebemos o mesmo que lhes damos, por isso... de mim espera só o que me deres e nada mais.
Durante muito tempo estive adormecida e quando me despertaste quis dar-te o mundo.
Tê-lo-ia feito, sabes?! Mas tu não queres o mundo,... queres vários. E isso eu não quero dar-te.
Portanto, busca noutra ou noutras (não importa) o que em mim não é suficiente para ti e então serás certamente feliz! Mais do que poderias ser, se quisesses, só comigo.