Arde-me na consciência uma febre de ser e na alma me gela um qualquer sonho de sentir.
É contraditória esta ilusão que me faz pensar-te..., tentativa vã de alterar um destino que há muito tracei em mim mesma.
Foi uma escolha minha.
Fui deusa num mundo sem tempo e a este determinaste, talvez inconscientemente, condicionar-me.
Ridiculamente existo não para um momento que será nem tão-pouco para um instante de ser, mas para o ter sido... nesse espaço intemporal em que não fui, onde não fomos.
Recrio, em mim, todos os beijos irreais que jamais existirão.
Desenho, sobreposto ao meu, o mapa do teu corpo e estremeço... quase te sinto a pele na minha e ao som de um gemido inaudito vibro numa ausente exalação de ti.
Suspiro os segredos do universo num perfeito êxtase de sobriedade enlouquecida...
E é loucura este querer-te,... transcendente alucinação de uma mente que teima em imaginar-te.
Pois então que o seja...
Que sejam as ilusões de vir a ter-te os motores que me movem como força imparável neste ébrio apaixonar dos sentidos quando nada sinto para além do que por ti sinto.