Há muito que te amo, que contigo sonho...
Sou tua desde aquele primeiro instante e desde então que não sou, que não sei ou posso ser, sem ti.
Descobri-me, encontrei-me, em ti. E hoje, ao perder-te... contigo me perdi.
Deixei de ser, de ser-me, pelo tanto que foste, que és ainda, que serás talvez sempre, para sempre, em mim.
Não sei esquecer-te os traços, o olhar, a alma.
E que alma a tua!... É a essência do Universo que em ti vive. E em ti, contigo, palpei a eternidade.
Tudo quanto existe é em ti, dentro de ti, por e para ti, que existe.
Sem ti tudo é tão simplesmente nada... E ser-se nada, sem ti, é já ser-se tanto, demasiado... Demasiadamente pouco numa existência sem sentido. Porque é só em ti, contigo, quando te sinto, que sinto, que me sinto.
É no arco-íris dos teus olhos que aos meus as cores ganham vida e a magia acontece, no silêncio do amor que calas num abraço e o palpitar do peito te denuncia que te oiço verdadeiramente a voz,... nos beijos que te desvendam as vontades.
As palavras, essas, mentem-me, fingem não sentir, ser indiferentes. Códigos quase perfeitos que através de ti aprendi, minuciosamente, a descodificar. Poemas falsos que camuflam um sentimento verdadeiro... Ou talvez não. Talvez as palavras sejam, afinal, a tua verdade e o que deveras sentes, mentira.
Creio que nunca chegarei a sabê-lo realmente, nunca mo dirás.
Ainda assim fui, ao longo do tempo, aprendendo que as usas como defesa, como forma de tentares convencer-te que nada te abala ou derruba,... mas eu abalo-te, derrubo-te. E tu derrubas-me...
Fomos feitas uma para a outra sem que o mundo fosse feito para nós. Esse mesmo mundo que nos separa e te venceu o sentimento.
Não! Não foi o mundo que te venceu... Foste tu quem decidiu perder, perder-se, perder-me.
Eu não tive escolha. Nunca neguei, em mim, o quanto te amo, por isso, sempre foste tu quem definiu os caminhos da nossa história e o destino desta.
Eu, limitei-me a saboreá-la intensamente quando e enquanto me foi permitido vivê-la.
Limitei-me a amar-te sem limites.
Hoje, limito-me a esperar por ti.
E sei que não vens..., mas a alma, a parte de mim, essa totalidade de mim, que vive em ti, pede-me para que te espere ainda, para que continue a amar-te mesmo quando preferes pedir às estrelas para deixar de amar-me.
Que elas te oiçam e, nessa ausência de sentir-me, possas ser, finalmente, verdadeiramente, feliz!
Que nesse desejo elas possam também concretizar o meu e nesse mesmo dia, quando não mais me amares, me arranquem do peito o coração e me suguem a alma nas lágrimas que os meus olhos por ti choram, os mesmos benditos e malditos olhos que me fizeram por ti, naquele dia, apaixonar-me para sempre.
Pudesse eu nunca ter-te visto!
Hoje, só espero que nesse dia, ao morrer, possa eu então, aprender que é possível existir, amar, sem ti!...