Por vezes tenho um medo tremendo de escrever, porque sei que há instantes
em que conseguiria pôr em palavras exactamente o que sinto. E nem sempre o que
sinto faria sentido para todos quantos o lessem ou se o fizesse talvez lhes
doesse tanto como a mim.
Às
vezes peco por sentir demasiado, outras por sentir tão demasiadamente pouco.
Como poderia eu explicar, a quem mo ouvisse se o dissesse, que quando não sinto
que me sentes em ti da mesma forma deixo de sentir-te?! Como saberia dizer-te
que quando te ausentas de mim há uma parte minha que se ausenta também contigo
de ti?! Como mostrar-te que quando duvidas de nós sinto em mim, sem que mas
contes, cada dúvida tua e eu mesma passo a duvidar?! Não haveria como e a haver
a interpretação final das minhas palavras seria sempre tua e não minha, o que
por si só corromperia a verdade delas em mim.
Dir-me-ias
que sou eu a complicar o simples, a imaginar o que não existe. No fundo de ti
sabê-lo-ás tão claramente quanto eu, mas jamais o admitirias por maior que fosse
a vontade de me mostrares a tua mente em toda a sua complexidade e nem essa é
assim tão forte nem tão grande a consideração que tens pela minha capacidade perceptiva
de ti. Talvez também tu tenhas medo que eu consiga ver-te, saber-te, na
totalidade de ti... Medo que eu sinta contigo tudo o que sentes e com isso me
perderes.
Por
isso, opto por calar-me, por sofrer no silêncio das minhas próprias divagações
em vez de as soltar e magoar-te com a veracidade delas.
Prefiro
dar-te a minha alma a quebrar, mesmo que a sinta por vezes ainda em pedaços, do
que partir a tua.
Não
serei eu a destruir-te os sonhos e as crenças. Serei sim o teu porto de abrigo,
o teu refúgio quando o mundo te parecer demasiado sombrio e tiveres que fugir
de ti própria.
Estarei
aqui, mesmo te vendo a cada dia afastar um pouco mais de mim, de nós, a
amparar-te cada desatino, a tentar mostrar-te com tudo de mim o quão a vida
vale a pena, mesmo quando eu não for capaz de senti-lo. Dar-te-ei do universo
os arco-íris, as estrelas, as fadas e os unicórnios... Serei o escudo protector
das espadas que outrora te feriram e tentam ainda penetrar em ti.
E
mesmo sabendo, quase em jeito de epifania, que poderá vir do teu arco a flecha
que me despedaçará uma vez mais, abrir-te-ei o peito com valentia, consciente
de ser esse um acto de cobardia e não de mártir, porque afinal um dos meus
maiores medos é que deixes de acreditar no Amor pois é Ele a força que move
todas as outras, o ponto de encontro entre o início e o fim de tudo. E Ele é
tudo quanto posso dar-te de mim, porque é a minha única constante, tudo o resto
me vem de fora para dentro. Ele não... Ele vem do mais dentro que há dentro de
mim e por muito que o deixe sair continua a preencher-me cada espaço, cada
vazio cheio dele, de ti.
Ainda
assim não posso ser outra que não eu ou tão-pouco fingir-me ser só uma parte do
que sou. Não posso nem sei ser um espelho do que sonhas quando não é comigo que
sonhas.
E
só tu sabes os teus sonhos. Só tu podes definir com exactidão a importância do
que quer que seja em ti. A mim só me é permitido pensá-lo através do que me
deixas sentir de ti, nada mais.
E
é já tanto, tão mais do que consigo suportar, essa distância entre o que penso
e sinto.
Por
isso escrevo, apesar do medo, para fortalecer-me..., para tentar fazer sentido
quando todos os meus sentidos estão dormentes de tanto sentir a tua ausência de
mim, porque a verdade é que te sinto mesmo quando não me sentes.
Não!
Não serei eu a deixar de amar-te!...
Ficarei
do teu lado até te aperceberes que quem vês em mim não sou eu e quiseres
partir.
E
eu? Pois bem... eu sou completamente apaixonada por ti.
Sacrificaria,
por ti, a minha alma para que descobrisses verdadeiramente a tua.
Sim,
porque também eu sou tua..., só e toda tua. E o que sinto por ti não é mais nem
menos do que tudo o que sinto em mim..., é, simplesmente, amor. Ainda assim não
deixarei que sacrifiques tu a tua alma por algo em que queres acreditar, mas
que não é verdade em ti.