quinta-feira, 7 de junho de 2012

Pesos


Alma solitária...
Folha caída dum sonho não sonhado.
Pedaço de um todo que não houve.
Sorriso hipócrita de um choro em que só tu te perdeste.
Souberas tu que o universo jamais sentirá contigo!
Puderas tu ter adivinhado no tempo que ignoraste que há acontecimentos que se perduram pela eternidade de ti! E foste tu que aconteceste, que te aconteceste.
Houvera, por menor que fosse, uma réstia de luz que te tivesse permitido ver as sombras de quem, por tanto amares sem razão, te foste tornando! Mas não a houve. Houveste, simplesmente, tu.
E tu... foste cativa num olhar, num instante em que te sentiste ser. Foste só!... Só como o que só tu sentiste, como o que só tu poderias ter sentido. É preciso ter alma para sentir e não há amor, mesmo o que não faz qualquer sentido, que não seja sentido.
Esta é uma das que pesam pela gramática... Sim, há palavras que têm mais peso que outras. Um pedregulho pesará sempre mais que uma pedra. O amor, o amar, para quem pensa saber o que é pesar-se-á pela sua conjugação, para quem ama... pelo peso de cada lágrima, de cada sufoco, de cada saudade. E esta, a saudade, pesa-se não pela ausência, mas pela presença em nós, pela sua singularidade mesmo quando é plural.
O Amor esse sim tem de existir na pluralidade mesmo no singular. Só se ama verdadeiramente a dois. E o peso do quanto a amaste ela jamais sentirá porque só tu o sentiste.