segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Não sei sentir-te menos...
Em mim, nunca soube fazer-te senão a totalidade do que amo, de quem sou.
Hoje, forço-me a existir sem ti.
Sentada, na margem deste oásis lamacento, vejo, uma a uma, nele afundarem-se as lembranças de um sonho meu, antigo, que tive contigo.
São bocados da minha alma que perco com cada uma delas, mas não as páro ou tento alcançá-las. Deixo-as, simplesmente, livremente, numa eternidade contínua e abismal, ir desaparecendo...
É preciso, agora, ser-me sem que sejas.
E em cada palavra que escrevo dou um passo na direcção do Vazio... Encho-me da tua ausência.
Sentir-te-ei a falta em cada pedaço meu que, voluntariamente, agora, destruo..., mas é forçoso continuar.
Aprenderei a ser mesmo não sendo e um dia, espero, esquecer-me-ei de ti.
Lutarei, com as mesmas forças com que te amei ao longo de todos estes anos, para deixar de pensar-te, de querer-te.
E um dia, deixarás de ser a mulher com quem queria ter partilhado toda a minha vida, a minha alma.
Serás..., somente, aquele amor... que não chegou a ser.

(Anulei-me já por demasiado tempo.
Foste mais em mim do que eu mesma fui.
Agora, começo a ser sem ti e um dia deixarás de existir, completamente, em mim.
Nesse mesmo dia perceberás tudo o que já não sou capaz de te dizer.)
Essências misturadas, odores falsos, perdidos,... cheiros parecidos... com o teu.
Olho à minha volta, mas não te vejo.
Desdobro a mente e vou ao teu encontro..., mas não te encontro. Não estás! Há muito que não queres estar... nem sequer em ti. E é onde te procuro, onde sempre te procurei,... em ti, quando tu nunca quiseste ser tu verdadeiramente.
Sempre procuraste ser uma versão social perfeita de ti, nunca tu própria. Só comigo, em mim, te permitiste existir, ser, como és... Sem sombras, ilusões, sem regras.
No fundo, libertaste-te... em mim.
E libertaste-te tanto que acabaste por te prender... Ao que sentias e não podias, não podes, porque é errado, sentir.
Eu... fiquei a ver-te, de longe, nessas divagações que nunca foste capaz de dizer-me, nesses pêndulos entre aquilo em que acreditas e o que sentes.
Pudesses tu ter-te libertado também da imagem que tens de ti e talvez te soubesses ser...
Mas não! Buscaste, buscas ainda, no mundo, até em mim, uma resposta que só em ti existe... por isso, és incapaz de ver-te e consegues ver-me mesmo de olhos fechados, porque eu aceito a alma que tenho enquanto tu tentas escapar à tua.
Não és menos verdadeira ou deixas de ter uma essência pura por isso, simplesmente não serás, porque assim não é possível ser, genuinamente, mais feliz.
Pudesses tu um dia sabê-lo e então, nesse mesmo dia, por te seres realmente, ainda que sem mim porque já me perdeste, te encontrasses.

(Iludímo-nos uma à outra!
Eu acreditei que um dia, fosse este quando fosse, porque me fizeste crer que esse dia chegaria, serias livre para me amar e tu, acreditaste que eu esperaria por esse dia, independentemente de tudo, para sempre, porque assim te fiz eu crer.
Enganámo-nos...
Eu esperaria sim por esse dia, por ti, eternamente se preciso fosse, enquanto me amasses, enquanto sentisse, em mim, que me amavas..., mas tu jamais serás livre para amar verdadeiramente, para me amares.
E esse dia... pois bem, não mais existe.)