Ao fundo as luzes que se esbatem num som monótono. Acordes de cores que um dia em ti despertaram o universo.
Sorris!... E as lágrimas que jorram dentro de ti reflectem o abismo de uma lua cheia, de um destino que não traçaste. Pertences ao que nunca foi teu e o Nada é ainda tudo quanto tens.
Sonhas!... E o que em ti limitas é o infinito de um sonho que jamais alguém terá contigo.
Ouves a tua alma, mas duvidas, a cada instante, da existência dela.
Perdes o raciocínio, a razão...
Vives onde não estás. E em que mundo ausente de ti poderias tu existir sem existência a não ser em ti?!
Que mapas da tua estrada traças tu em tracejado da tua, na tua, essência?
Que verdade escondes ou manténs escondida como oásis do teu fim?
Que palavras não chegarás tu a dizer para que não possam verdadeiramente ouvir-te?
E que silêncios absolutos manterás ocultos até de ti?
Que viagens de olhos fechados, bem cerrados do que que te obrigam a ver, terás de fazer? Que caminhos de névoa até perceberes que és tu quem os trilha, para reconheceres que a tua meta é o ponto de onde partiste?
A que profundidade do teu ser terás de chegar para veres que o teu reflexo é superficial, que o que procuras já há muito encontraste?
Fazes sequer parte do mundo ou ele é apenas uma parte de ti, em ti?
Não esperes o inesperado.
Não te assombres com o sombrio.
Não sorrias! Não quando o que tens é vontade de chorar...
Não repenses, não analises, não contes.
Deixa que as luzes simplesmente te iluminem. Não as contradigas. Não lhes oiças os silêncios.
O Universo nem sempre te fala em código, por isso, pára de tentar descodificá-lo. Deixa-o existir tão-somente quanto ele te deixa a ti. Dá-lhe a liberdade de poder ser livre como tu jamais serás por estares presa a ele. Liberta-lhe as asas!... Liberta-te!
Não penses. Pára!
Escuta a chuva, o bater de asas das borboletas. Permite-lhes poisar em ti, deixa-as, em ti, aninhar-se...
Não te reconheças. Reinventa-te!
Não sejas original. Recria antes a Natureza que há em ti.
A sombra de um pinheiro jamais será ou poderá substituir a de um carvalho... E o ar que expiras só existe porque antes o inspiraste.
Deixa que a vida, portanto, te inspire. Nada do que te fará mal existirá sem que antes bem te tenha feito!
Permite-te sentir!...
Deixa que 'Ela', ou o que quer que seja que te mova, te leve aonde jamais chegarias se 'Ela' não existisse.
Não!
Não lhe digas a importância 'Dela' em ti, não quando 'Ela' não a quer ter, deixa-a simplesmente sentir-te.
Sê onde só podes ser... 'Nela'!... Com 'Ela'!
E se para ti, em ti, nada mais fizer sentido a não ser naquele perfeito momento em que 'Ela' te olha com a intensidade de te ver a alma..., a alma que só por 'Ela' existe, para 'Ela', então deixa-a ver-te.
Deixa que seja 'Ela' a escrever-te!
Confia!
Se fores tu o ponto de intersecção 'Dela' com a felicidade só tu completarás esse círculo.
Se não o fores, ao menos tiveste a sorte de conhecê-la, de saborear-lhe as divagações, as palavras, os silêncios, os olhares.
Sentiste-lhe a alma!... E ao senti-la, a tua própria!
Não te iludas, 'Ela' é só a sombra... A árvore és tu!
Permite-te, por isso, também sombrear, proteger... proteger-te.
Abriga-te, mas não do que temes, do que sentes.
Refugia-te, mas não de ti.
Só tu podes preencher o espaço que ocupas. Permite-te, portanto, ocupá-lo livremente, sem que te prendam, sem que te prendas, sem que o ocupes.
Faz-te tu!
E faças tu o que fizeres, ou deixes por fazer, sê-te!
Ama-a!...
Mas se um dia o Universo te pedir que deixes de amá-la lembra-te de quem és, que alma é a tua.
Lembra-te de te lembrares!... De te lembrares do que jamais esquecerias... Que é 'Ela' o Universo inteiro, o teu universo, que a tua alma é 'Dela'.
E se um dia tiveres que deixar de amá-la que seja exactamente por a amares tão e somente a 'Ela'!
(algures num reflexo do alto universo onde decidi passar a noite só, contigo no pensamento.)