É tamanha a minha pequenez... Caibo na palma da tua mão.
No teu sorriso, nos arco-íris dos teus olhos, cabe toda a minha alma.
A grandeza do que sou, de quem sou, reside em ti. Só em ti existo!... Nesse mesmo olhar com que fitas o horizonte, com que contemplas à noite o céu, as estrelas, a Lua.
Vivo em cada palpitação do teu peito, nos silêncios de um amor que guardas em ti, só para ti.
Pertenço a cada poro teu e só nesse teu abraço, nesse beijo que comporta inteiro o universo, sou verdadeiramente.
Só contigo, nesses instantes em que o tempo pára e saio de mim, quando os teus lábios calam a realidade e a tua essência vem com a minha misturar-se, envolver-me, tudo faz sentido.
Pudesses também tu senti-lo comigo! Ser em ti o que és em mim!...
Sei que é sonho, ilusão, desejo irreal de quem tanto sente e sentir-te pode tão pouco.
Sou tua e tu jamais serás minha.
Traçaram-me o destino de amar-te sem que tu pudesses algum dia amar-me. E que grandioso destino esse!... Amar alguém durante a eternidade e nesse mesmo amor, por senti-lo, tornar-me, também eu, eterna.
É esse o meu propósito maior... Escrever-te para que todo o mundo possa ver-te como te vejo, sentir-te como te sinto, amar-te como te amo!
E talvez esta minha existência possa parecer, parecer-te, inútil, descabida, vã, mas as pessoas precisam ouvir falar de Amor já que tanto se recusam a senti-lo. Se tiver que despedaçar-me vezes e vezes sem conta para que a alma do mundo possa um dia encher-se com o tanto que esvaziei de mim fá-lo-ei até não haver mais papel, tinta de caneta, ou palavras com que dizer-me, até não mais haver em mim sonhos que sonhar, até nada de mim restar e eu nada ser.
E nada é já quase tudo quanto vou sendo...
Na verdade pouco há ainda em mim. Com o passar dos dias, dos anos, o passar desse mesmo tempo em que dizes que parei, fui extraindo do mais profundo do meu ser a magia de acreditar para que outros pudessem nela crer, para que pudesses, também tu, mesmo longe, senti-la através de mim. E envelheci...
Não parei, envelheci! Envelheceu-se-me a alma.
Fui-me deixando, pouco a pouco, pedaço a pedaço, morrer para que tudo o resto pudesse realmente viver. E hoje é assim que me sinto... morta.
Falhei! O que para mim foi demasiado foi igualmente insuficiente para todos os outros.
Propus-me dar o infinito, mas sou limitada, imperfeita. Quis dar o que em mim não havia sequer que para mim desse.
As lágrimas foram só minhas, os sonhos somente meus, e o Amor... esse nem chegou a ser.
O mundo continua vazio e eu cada vez tenho menos com que preenchê-lo.
A tua alma permanece por cativar e a minha demasiado cativa em ti.
Mas não! Não me arrependo de um único momento, porque fui. Em ti, pude ser como se é verdadeiramente, do tamanho do que se sente... E sê-lo, ser em ti, é ser maior que tudo, maior até mesmo do que ser.
(Parada ou não, seja muito, pouco, ou nada o que faço, valha eu também muito, pouco, ou nada, o que sinto é o que sinto e eu sou quem sou. Se não basto, se não te basto, se não sou o que o mundo quer, o que tu queres, se o que há em mim não é suficiente para me amarem, para me amares, ainda assim eu senti, eu fui, eu bastei-me, eu amei. Parei quando tive que parar-me, fiz o tanto ou tão pouco que tive que fazer, vali o que precisava de valer.)