quarta-feira, 14 de novembro de 2012

É tamanha a minha pequenez... Caibo na palma da tua mão.
No teu sorriso, nos arco-íris dos teus olhos, cabe toda a minha alma.
A grandeza do que sou, de quem sou, reside em ti. Só em ti existo!... Nesse mesmo olhar com que fitas o horizonte, com que contemplas à noite o céu, as estrelas, a Lua.
Vivo em cada palpitação do teu peito, nos silêncios de um amor que guardas em ti, só para ti.
Pertenço a cada poro teu e só nesse teu abraço, nesse beijo que comporta inteiro o universo, sou verdadeiramente.
Só contigo, nesses instantes em que o tempo pára e saio de mim, quando os teus lábios calam a realidade e a tua essência vem com a minha misturar-se, envolver-me, tudo faz sentido.
Pudesses também tu senti-lo comigo! Ser em ti o que és em mim!...
Sei que é sonho, ilusão, desejo irreal de quem tanto sente e sentir-te pode tão pouco.
Sou tua e tu jamais serás minha.
Traçaram-me o destino de amar-te sem que tu pudesses algum dia amar-me. E que grandioso destino esse!... Amar alguém durante a eternidade e nesse mesmo amor, por senti-lo, tornar-me, também eu, eterna.
É esse o meu propósito maior... Escrever-te para que todo o mundo possa ver-te como te vejo, sentir-te como te sinto, amar-te como te amo!
E talvez esta minha existência possa parecer, parecer-te, inútil, descabida, vã, mas as pessoas precisam ouvir falar de Amor já que tanto se recusam a senti-lo. Se tiver que despedaçar-me vezes e vezes sem conta para que a alma do mundo possa um dia encher-se com o tanto que esvaziei de mim fá-lo-ei até não haver mais papel, tinta de caneta, ou palavras com que dizer-me, até não mais haver em mim sonhos que sonhar, até nada de mim restar e eu nada ser.
E nada é já quase tudo quanto vou sendo...
Na verdade pouco há ainda em mim. Com o passar dos dias, dos anos, o passar desse mesmo tempo em que dizes que parei, fui extraindo do mais profundo do meu ser a magia de acreditar para que outros pudessem nela crer, para que pudesses, também tu, mesmo longe, senti-la através de mim. E envelheci...
Não parei, envelheci! Envelheceu-se-me a alma.
Fui-me deixando, pouco a pouco, pedaço a pedaço, morrer para que tudo o resto pudesse realmente viver. E hoje é assim que me sinto... morta.
Falhei! O que para mim foi demasiado foi igualmente insuficiente para todos os outros.
Propus-me dar o infinito, mas sou limitada, imperfeita. Quis dar o que em mim não havia sequer que para mim desse.
As lágrimas foram só minhas, os sonhos somente meus, e o Amor... esse nem chegou a ser.
O mundo continua vazio e eu cada vez tenho menos com que preenchê-lo.
A tua alma permanece por cativar e a minha demasiado cativa em ti.
Mas não! Não me arrependo de um único momento, porque fui. Em ti, pude ser como se é verdadeiramente, do tamanho do que se sente... E sê-lo, ser em ti, é ser maior que tudo, maior até mesmo do que ser.

(Parada ou não, seja muito, pouco, ou nada o que faço, valha eu também muito, pouco, ou nada, o que sinto é o que sinto e eu sou quem sou. Se não basto, se não te basto, se não sou o que o mundo quer, o que tu queres, se o que há em mim não é suficiente para me amarem, para me amares, ainda assim eu senti, eu fui, eu bastei-me, eu amei. Parei quando tive que parar-me, fiz o tanto ou tão pouco que tive que fazer, vali o que precisava de valer.)  

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Não sei tirar-te do pensamento...
Não sei não te sentir em mim...
Fecho os olhos e é sempre o teu olhar que vejo, o teu abraço que me envolve como se me protegesse desta fria realidade em que vivo e me aconchegasse a alma no teu próprio peito, num beijo que me cativa e extasia o ser em delírios de ilusões onde só em sonhos posso verdadeiramente ser-me, onde somos.
À noite a encantada Lua traz na brisa de um feitiço o cheiro da tua essência, fragrância de anjo que me embriaga e enlouquece.
Os deuses vêm falar-me, em silêncio, dos segredos que calas, onde me guardas... E as estrelas levam-me a ti.
São eternos os momentos contigo, instantes perpétuos da fantasia em que me perco e encontro numa dormência sem tempo do sentimento.
Existo num agora a que pertenço desde sempre, no castelo do teu ser onde me escondes e te abrigas do que sentes.
E eu... sou tua.
Sou das saudades que o futuro me trará da tua ausência, de um existir sem existência, sem alma.
Sou das tantas palavras que escreverei durante a vida inteira para ti, sem ti... De um amor a que jamais pertencerás e no qual eu serei sempre.
Sou, no fundo, do tanto que te penso, sinto, imagino e sonho...
Sou do tanto que és em mim... Do tanto que te amo!
Sons inauditos de uma vã procura...
Desejos de um 'para sempre' que terminou.
Por vezes o passado, o Amor, não cura...
e o que em nós fica é sempre o que nunca antes em nós ficou.

Em mim... restam os sentimentos desnudos,
soltos, livres..., presos a ti.
Divagações breves, demasiadamente breves, de pensamentos mudos,
dos sonhos que um dia tive e nos quais tanto, um dia, contigo me iludi.

Emoções que reflectem o que a razão não ilumina,
talvez seja essa a minha verdadeira e derradeira sina...
Ser só e só em mim amar-te.

Pensar-te continuamente numa ilusão
que me amarra e despedaça o coração
quando sentir-te não posso e permitido me é tão-somente imaginar-te.
Ao fundo as luzes que se esbatem num som monótono. Acordes de cores que um dia em ti despertaram o universo.
Sorris!... E as lágrimas que jorram dentro de ti reflectem o abismo de uma lua cheia, de um destino que não traçaste. Pertences ao que nunca foi teu e o Nada é ainda tudo quanto tens.
Sonhas!... E o que em ti limitas é o infinito de um sonho que jamais alguém terá contigo.
Ouves a tua alma, mas duvidas, a cada instante, da existência dela.
Perdes o raciocínio, a razão...
Vives onde não estás. E em que mundo ausente de ti poderias tu existir sem existência a não ser em ti?!
Que mapas da tua estrada traças tu em tracejado da tua, na tua, essência?
Que verdade escondes ou manténs escondida como oásis do teu fim?
Que palavras não chegarás tu a dizer para que não possam verdadeiramente ouvir-te?
E que silêncios absolutos manterás ocultos até de ti?
Que viagens de olhos fechados, bem cerrados do que que te obrigam a ver, terás de fazer? Que caminhos de névoa até perceberes que és tu quem os trilha, para reconheceres que a tua meta é o ponto de onde partiste?
A que profundidade do teu ser terás de chegar para veres que o teu reflexo é superficial, que o que procuras já há muito encontraste?
Fazes sequer parte do mundo ou ele é apenas uma parte de ti, em ti?
Não esperes o inesperado.
Não te assombres com o sombrio.
Não sorrias! Não quando o que tens é vontade de chorar...
Não repenses, não analises, não contes.
Deixa que as luzes simplesmente te iluminem. Não as contradigas. Não lhes oiças os silêncios.
O Universo nem sempre te fala em código, por isso, pára de tentar descodificá-lo. Deixa-o existir tão-somente quanto ele te deixa a ti. Dá-lhe a liberdade de poder ser livre como tu jamais serás por estares presa a ele. Liberta-lhe as asas!... Liberta-te!
Não penses. Pára!
Escuta a chuva, o bater de asas das borboletas. Permite-lhes poisar em ti, deixa-as, em ti, aninhar-se...
Não te reconheças. Reinventa-te!
Não sejas original. Recria antes a Natureza que há em ti.
A sombra de um pinheiro jamais será ou poderá substituir a de um carvalho... E o ar que expiras só existe porque antes o inspiraste.
Deixa que a vida, portanto, te inspire. Nada do que te fará mal existirá sem que antes bem te tenha feito!
Permite-te sentir!...
Deixa que 'Ela', ou o que quer que seja que te mova, te leve aonde jamais chegarias se 'Ela' não existisse.
Não!
Não lhe digas a importância 'Dela' em ti, não quando 'Ela' não a quer ter, deixa-a simplesmente sentir-te.
Sê onde só podes ser... 'Nela'!... Com 'Ela'!
E se para ti, em ti, nada mais fizer sentido a não ser naquele perfeito momento em que 'Ela' te olha com a intensidade de te ver a alma..., a alma que só por 'Ela' existe, para 'Ela', então deixa-a ver-te.
Deixa que seja 'Ela' a escrever-te!
Confia!
Se fores tu o ponto de intersecção 'Dela' com a felicidade só tu completarás esse círculo.
Se não o fores, ao menos tiveste a sorte de conhecê-la, de saborear-lhe as divagações, as palavras, os silêncios, os olhares.
Sentiste-lhe a alma!... E ao senti-la, a tua própria!
Não te iludas, 'Ela' é só a sombra... A árvore és tu!
Permite-te, por isso, também sombrear, proteger... proteger-te.
Abriga-te, mas não do que temes, do que sentes.
Refugia-te, mas não de ti.
Só tu podes preencher o espaço que ocupas. Permite-te, portanto, ocupá-lo livremente, sem que te prendam, sem que te prendas, sem que o ocupes.
Faz-te tu!
E faças tu o que fizeres, ou deixes por fazer, sê-te!
Ama-a!...
Mas se um dia o Universo te pedir que deixes de amá-la lembra-te de quem és, que alma é a tua.
Lembra-te de te lembrares!... De te lembrares do que jamais esquecerias... Que é 'Ela' o Universo inteiro, o teu universo, que a tua alma é 'Dela'.
E se um dia tiveres que deixar de amá-la que seja exactamente por a amares tão e somente a 'Ela'!

(algures num reflexo do alto universo onde decidi passar a noite só, contigo no pensamento.)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Não é dom, é condão este amor, este amar-te!...
Passo o tempo deixando que ele por mim passe, esperando-te..., mas tu não vens.
Hoje sei que é em vão a espera, a angústia, a ansiedade, a esperança.
Nunca virás ao meu encontro. Nunca chegarás.
A tua vinda foi sempre só uma ilusão minha, um sonho que contigo tive sem ti.
Hoje é o dia em que finalmente desperto.
É tempo de aprender a pensar-te sem te sentir, de deixar de acreditar no que os teus olhos me dizem e parar de ouvir-te a alma.
Hoje é o dia em que aceito escutar de ti somente a veracidade das tuas palavras, do que dizes, daquilo em que crês, do que realmente sentes.
És quem és, como és, e eu não posso querer ver-te de outra forma.
Se verdadeiramente te amo não posso continuar a complicar o que para ti é tão simples. Tenho o dever de te deixar existir, ser-te, sem mim. Tenho a obrigação de libertar o espaço que desde há muito ocupo em ti, porque nem tão-pouco me deixas ou queres que o preencha realmente.
E não, não serei eu a impedir-te de seres feliz ou de sonhares os teus próprios sonhos.
Não posso prender-te a um amor que em ti jamais existirá nem cativar-te num conto de fadas com um final feliz que não o terá.
Hoje é, portanto, o dia em que deixo de abraçar-te, de escrever-te em mim, de me escrever em ti, e abraço a realidade tal como ela é, como sempre foi e para sempre será.
Hoje é o dia em que aceito que não virás e abandono a espera por ti que teria durado eternamente, enquanto houvesse tempo para te haveres e o amanhã para me amares..., mas o amanhã faz hoje parte do ontem, do sonho do qual hoje acordo.
Hoje deixa por isso de haver tempo para esperar que haja tempo. 
E que seja este despertar o começo de um novo sonho...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Princesa desencantada do Sentimento
como se vive sem coração?
Que muralhas ergueste como defesas no pensamento
e em que alta torre de ti se esconde o temível dragão?

Que sonhos se sonham quando não se sonha
ou que sorrisos há numa alma que não chora?
E pode sequer haver alma onde uma ilusão se ponha
quando não há amores pelos quais se cora?

Como se ama alguém que não ama
ou se desfaz a malfadada e vazia cama
de quem não quer fazer amor?

Como se abraça ou conquista o que não existe
num conto de fadas que em nós indolor persiste,
como se a vida vida não fosse e o mar não tivesse qualquer sabor?...


(Não sei como se vive sem viver, como se ama sem amar, como se pensa sem pensar. Não sei como se é sem se ser. O que sei é que vivo, que amo, que penso..., que sou.)

sábado, 18 de agosto de 2012

Noite de mim


Na alma um dormente sentir,
no pensamento uma vã inexistência.
Como é triste e só este ir e vir
dos sonhos que tenho na tua ausência!?

Desperto, mas não te alcanço...
Vives numa realidade que é só tua.
E eu, nesta ilusão em que me não descanso,
deixo ao Vazio a minha essência nua.

Esfumam-se as palavras, leva-as o vento,
mas em mim persiste, cheio de nada, o sentimento,
este procurar-te onde já não estás.

E aqui permaneço, enlouquecida,
no desejo de por ti jamais ser esquecida,
esperando-te a voz que a só e triste noite não mais me traz.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Pesos


Alma solitária...
Folha caída dum sonho não sonhado.
Pedaço de um todo que não houve.
Sorriso hipócrita de um choro em que só tu te perdeste.
Souberas tu que o universo jamais sentirá contigo!
Puderas tu ter adivinhado no tempo que ignoraste que há acontecimentos que se perduram pela eternidade de ti! E foste tu que aconteceste, que te aconteceste.
Houvera, por menor que fosse, uma réstia de luz que te tivesse permitido ver as sombras de quem, por tanto amares sem razão, te foste tornando! Mas não a houve. Houveste, simplesmente, tu.
E tu... foste cativa num olhar, num instante em que te sentiste ser. Foste só!... Só como o que só tu sentiste, como o que só tu poderias ter sentido. É preciso ter alma para sentir e não há amor, mesmo o que não faz qualquer sentido, que não seja sentido.
Esta é uma das que pesam pela gramática... Sim, há palavras que têm mais peso que outras. Um pedregulho pesará sempre mais que uma pedra. O amor, o amar, para quem pensa saber o que é pesar-se-á pela sua conjugação, para quem ama... pelo peso de cada lágrima, de cada sufoco, de cada saudade. E esta, a saudade, pesa-se não pela ausência, mas pela presença em nós, pela sua singularidade mesmo quando é plural.
O Amor esse sim tem de existir na pluralidade mesmo no singular. Só se ama verdadeiramente a dois. E o peso do quanto a amaste ela jamais sentirá porque só tu o sentiste.

sábado, 19 de maio de 2012

Sentimentos pensados

De vez em quando anulo-me pela soma de todos os factores que me subtraem de mim mesma, que me dividem o ser em multiplicações de nada.
E como dizer nada do Nada se ser nada é ser tanto?!
É uma luta constante esta que travo comigo própria no limiar da loucura e do abismo de uma sanidade que por vezes me escapa. Sim... é maior, mais sério e dolorosamente envolvente, o vazio de se ter consciência do que a falta dela.
Pudesse eu jamais ter aprendido a pensar nas coisas e a felicidade talvez não fosse em mim só um pensamento! Talvez se não a pensasse pudesse deveras senti-la e sentindo-a, sem sabê-la, me soubesse feliz.
Assim, e porque me penso, prendo-me ao que me sei ser sem conseguir, por isso, verdadeiramente sê-lo.
Nem o que sinto me sabe a sentir nem o que sou incapaz de sentir existe com algum sentido em mim a não ser o de que não sinto.
Ter-me-ão, um dia quem sabe, enclausurado, num qualquer ponto de mim que agora não alcanço, os sentimentos.
Hoje, só por ti, por existires, me é sequer permitido pensar neles, pensar que de alguma forma ainda os tenho, porque quando te olho sou capaz de sentir-te a alma, como se fora a minha que, num qualquer momento de mim, perdi.
E não sei, por muito que pense sobre isso, como foi a minha alma ter contigo ou se terás sido tu a capturá-la naquele primeiro instante em que te vi, mas a verdade é que a reencontrei em ti, que ela em ti e só em ti, agora, reside.
O que sinto é portanto através de ti que sinto, do que sentes.
Talvez por isso te precise tanto, precise tanto que sintas..., porque se em algum momento nada sentires também eu nada sentirei. E eu existo para sentir... Existo, verdadeiramente, para sentir-te!

Veracidade

Por vezes tenho um medo tremendo de escrever, porque sei que há instantes em que conseguiria pôr em palavras exactamente o que sinto. E nem sempre o que sinto faria sentido para todos quantos o lessem ou se o fizesse talvez lhes doesse tanto como a mim.
Às vezes peco por sentir demasiado, outras por sentir tão demasiadamente pouco. Como poderia eu explicar, a quem mo ouvisse se o dissesse, que quando não sinto que me sentes em ti da mesma forma deixo de sentir-te?! Como saberia dizer-te que quando te ausentas de mim há uma parte minha que se ausenta também contigo de ti?! Como mostrar-te que quando duvidas de nós sinto em mim, sem que mas contes, cada dúvida tua e eu mesma passo a duvidar?! Não haveria como e a haver a interpretação final das minhas palavras seria sempre tua e não minha, o que por si só corromperia a verdade delas em mim.
Dir-me-ias que sou eu a complicar o simples, a imaginar o que não existe. No fundo de ti sabê-lo-ás tão claramente quanto eu, mas jamais o admitirias por maior que fosse a vontade de me mostrares a tua mente em toda a sua complexidade e nem essa é assim tão forte nem tão grande a consideração que tens pela minha capacidade perceptiva de ti. Talvez também tu tenhas medo que eu consiga ver-te, saber-te, na totalidade de ti... Medo que eu sinta contigo tudo o que sentes e com isso me perderes.
Por isso, opto por calar-me, por sofrer no silêncio das minhas próprias divagações em vez de as soltar e magoar-te com a veracidade delas.
Prefiro dar-te a minha alma a quebrar, mesmo que a sinta por vezes ainda em pedaços, do que partir a tua.
Não serei eu a destruir-te os sonhos e as crenças. Serei sim o teu porto de abrigo, o teu refúgio quando o mundo te parecer demasiado sombrio e tiveres que fugir de ti própria.
Estarei aqui, mesmo te vendo a cada dia afastar um pouco mais de mim, de nós, a amparar-te cada desatino, a tentar mostrar-te com tudo de mim o quão a vida vale a pena, mesmo quando eu não for capaz de senti-lo. Dar-te-ei do universo os arco-íris, as estrelas, as fadas e os unicórnios... Serei o escudo protector das espadas que outrora te feriram e tentam ainda penetrar em ti.
E mesmo sabendo, quase em jeito de epifania, que poderá vir do teu arco a flecha que me despedaçará uma vez mais, abrir-te-ei o peito com valentia, consciente de ser esse um acto de cobardia e não de mártir, porque afinal um dos meus maiores medos é que deixes de acreditar no Amor pois é Ele a força que move todas as outras, o ponto de encontro entre o início e o fim de tudo. E Ele é tudo quanto posso dar-te de mim, porque é a minha única constante, tudo o resto me vem de fora para dentro. Ele não... Ele vem do mais dentro que há dentro de mim e por muito que o deixe sair continua a preencher-me cada espaço, cada vazio cheio dele, de ti.
Ainda assim não posso ser outra que não eu ou tão-pouco fingir-me ser só uma parte do que sou. Não posso nem sei ser um espelho do que sonhas quando não é comigo que sonhas.
E só tu sabes os teus sonhos. Só tu podes definir com exactidão a importância do que quer que seja em ti. A mim só me é permitido pensá-lo através do que me deixas sentir de ti, nada mais.
E é já tanto, tão mais do que consigo suportar, essa distância entre o que penso e sinto.
Por isso escrevo, apesar do medo, para fortalecer-me..., para tentar fazer sentido quando todos os meus sentidos estão dormentes de tanto sentir a tua ausência de mim, porque a verdade é que te sinto mesmo quando não me sentes.
Não! Não serei eu a deixar de amar-te!...
Ficarei do teu lado até te aperceberes que quem vês em mim não sou eu e quiseres partir.
E eu? Pois bem... eu sou completamente apaixonada por ti.
Sacrificaria, por ti, a minha alma para que descobrisses verdadeiramente a tua.
Sim, porque também eu sou tua..., só e toda tua. E o que sinto por ti não é mais nem menos do que tudo o que sinto em mim..., é, simplesmente, amor. Ainda assim não deixarei que sacrifiques tu a tua alma por algo em que queres acreditar, mas que não é verdade em ti.

Ausência de mim



Gostava de poder dizer-te o que sinto, mas não consigo.
As palavras soam-me vazias de lógica e os pensamentos desprovidos de sentido.
Procuro refugiar-me neste sentir, no sentir-te, mas a alma tende a fugir-me para nenhures, talvez procurando por ti onde não te sabe estar.
São diferentes os planos dimensionais do que foi e do que é. E quem sou já nem sei.
Vejo-me de longe como se avistasse a sombra de um abismo em que me torno e nem retorno nem consigo dar um passo em frente, avançar em direcção a mim.
Opto por parar sem que possa realmente parar-me.
Espero-me sentada na berma de mim mesma a ver-me passar e não me abordo. Deixo-me andar em círculos de nada..., triângulos em movimento giratório e constante de uma essência sem contornos.
E as palavras... essas agrupam-se-me na mente, quiçá também ou sobretudo no peito, em amontoados de textos que não sou capaz de escrever, de ilusões que não consigo descodificar numa realidade que me afasta de onde quer que tenha de estar. E vou estando..., solta de aprendizagens que não apreendo, cheia de sonhos de ti que não alcanço, descansando-me numa vontade que não tenho já de ser-me.
Falo para mim como se para ti falasse e não sou capaz de ouvir-me.
A luz, essa esconde-se no seu próprio silêncio...
Estendo a mão, mas onde estará a tua? Talvez também à procura da minha.
E no meio de tantas divagações perdidas num tempo demasiado livre para prender-lhes a certeza do que quer que seja só a esperança sonhadora de que um dia as nossas mãos saibam encontrar-se uma à outra.

("Je fais de toi mon essentiel, celle que j'aimerais plus que personne." Amo-te, AB!*)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Coincidências ou falas silenciosas do Universo?!...
Até que ponto se agrupam as nuvens nos rostos que queremos ver e o vento nos assobia ao ouvido o nome que buscamos ouvir?
Que insana viagem é esta que frequentemente, por algum motivo que desconheço, sou forçada a fazer em mim mesma?
Quando poderei eu finalmente descansar, descansar-me? Adormecer-me num sonho perfeito do qual não mais acorde?
Porque teima o meu corpo (sim... não só o cérebro, mas o meu corpo todo) em pensar-te na ausência de tempo, do tempo que não temos, em vez de sentir-te?
Em que realidades alternativas de uma só realidade vivemos nós?
Em quantas delas esse 'amo-te' não significa que te amo? Em quantas não perco o sono quando te vejo ou quando quase desespero enquanto te espero?
Por-me-ás tu em alguma delas verdadeiramente acima de tudo? Em alguma sentirás de facto a minha falta?
Não, não respondas... eu sei.
As nuvens desagrupam-se, o vento emudece...
Volto a sentir-te, continuo a amar-te, mas não descanso...
E enquanto tranquilamente dormes, sem que eu te tire o sono,... não posso ainda adormecer-me... porque em mim ecoa demasiado alto o que sinto por ti, o que sentes,... a certeza de que o acaso não existe.

(Talvez um dia percebas que o tempo que não tens para mim e o tanto tempo que tenho para ti são a mesma coisa. Porque todo este tempo que agora tenho é exactamente porque não tenho muito tempo. O que queria era que percebesses que o tempo existe de acordo com as vontades, mas isso um dia, a seu devido tempo, também o perceberás.)

terça-feira, 27 de março de 2012

Medos...


Sou um tanto limitada (ou opto por sê-lo) no que diz respeito a escrever a profundidade da alma, porque na verdade tenho um medo tremendo de aprofundar-me...
Prefiro descrever os sonhos que transformo na veracidade de mim do que a minha veracidade propriamente dita. Prefiro o abstracto ao concreto...,mas hoje quero falar-te um pouco de sombras, de ausências de cor, basicamente, de medos.
E os medos são exactamente isso, bases. São o ponto de partida de nós que nos fazem chegar tão simplesmente (adivinha!) a nós, aos recantos mais fundos de quem somos, mais fundo ainda do que esses mesmos medos que nos originam.
Seria de esperar que ao longo da vida os fôssemos ultrapassando, mas à medida em que o tempo parece passar (sim, porque a passagem do Tempo é só uma ilusão) vamos descobrindo que só aprendemos a lidar com eles (ou com alguns deles) e eles continuam bem cá dentro a multiplicarem-se, a tomarem novas formas, a transformarem-se eles próprios em novos medos. A essência de cada um deles essa mantém-se a mesma.
O que a maioria de nós teme não é o sentimento de perda, mas o vazio..., a certeza de existirmos sós. E nem é da solidão que temos medo, é da totalidade da nossa alma, de tudo quanto ela contém.
Do que temos medo é de não sermos capazes de fazer diferença, de passar pelo mundo sem deixar nele a nossa marca... Temos medo do esquecimento, de não sermos lembrados,... de não chegarmos a ser amados, de partir sem termos também nós amado com tudo de nós. E temos tanto, mas tanto para amar...
Temos tanto para dizer ao mundo que temos medo de nada chegarmos a dizer que seja realmente ouvido. Medo de existirmos sem termos de facto existido...
Por isso, pára! Deixa os teus medos de lado e vive cada instante com a intensidade de ser único. Desprende-te do que te prende em ti e liberta-te. Dá-te ao universo tão profundamente quanto ele se dá a ti. Fecha os olhos ao que te impede de sentir a brisa da manhã e abre-os à verdadeira essência da vida.
Não procures no teu reflexo o que tens para ver de ti. Vê-te através dos olhos dos outros, de fora para dentro e sê-te de dentro para fora. Só assim serás vista e verás também. Só assim não terás medo, porque em cada olhar saberás o tanto que és e farás com os outros sintam também o tanto que são para ti, em ti. E então, não precisarás de contar ou que contem a tua história, porque ela existirá por si só. Tê-la-ás escrito com a tua alma em cada gesto teu, em cada sorriso, em cada palavra que não tenhas sequer dito.
Medo?!
Medo é não ter nada a temer!...

(Cá está o prometido texto, Jessica. Desculpa a demora e a falta de fluidez, mas enfim... Espero que te diga alguma coisa.)

sexta-feira, 23 de março de 2012

Hoje

Meu amor...
Sim, hoje o amor é meu, teu, é nosso!
Hoje o sorriso é mais fundo, mais vincado na alma... e esta, hoje existe sem quaisquer dúvidas, completa como o todo de nós.
O olhar, esse, hoje vê mais além..., alcança alturas maiores que os maiores sonhos.
Hoje sou feliz!... Tão feliz quanto só se pode ser quando verdadeiramente se ama.
E como é possível que não acredites em unicórnios, em fadas, em seres encantados quando és tu própria um elemento raro e exemplar único desses mesmos seres?!
Pudesses ver-te através dos meus olhos!... Sentir-te através de mim... e saberias que esse universo da fantasia de que duvidas é mais real que a realidade à qual te forças a pertencer, mais certo de existir do que haver existência fora dele.
Hoje... o sentimento é mais forte que a vontade de sentir, maior a certeza de pertencer que o querer ter.
E hoje tens-me, pertenço-te, sou tua!
Sinto-te por tudo o que sinto por ti, pelo tanto que te amo.
Hoje começa a minha vida... porque o hoje serão todos os dias que terei contigo, amando-te!...

(Amo-te ser encantado, minha musa! =) AB*)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Sonhando


Pudesse eu passar eternidades a olhar-te!... Descobrir-te cada expressão, cada gesto. Saber-te cada vontade, cada sonho.
Pudesse eu escutar tudo quanto dizes em cada silêncio teu! Adormecer ao teu lado todas as noites e acordar ainda abraçada a ti com o nascer de cada dia.
Pudesse eu amar-te em cada instante, a cada batida do teu coração. Ser cada sorriso dos teus lábios, cada teu abrir e fechar de olhos. Ser em ti tudo quanto és em mim.
E se um dia se desfizer o sonho...ainda assim sei que terá valido a pena. É em momentos como estes que me sei deveras feliz! Poder ver-te com o rosto tão sereno quanto os sonhos que não sou ainda capaz de desvendar...
Ah, como quero também eu pertencer-lhes! Como gostava que num desses mesmos sonhos te ausentasses de ti e pudesses ver-me a olhar para ti quando não me vês, quando me perco também eu, acordada, neste sonhar-te.
Pudesses sentir comigo o que cada respiração tua em mim provoca, que em cada tua inspiração me tiras o ar e me inspiras, que de cada vez que expiras eu me torno um pouco mais tua.
Pudesse o tempo parar infinitamente neste instante e eu ficar para sempre em ti!... Ser eu cada veia da mão que manténs sobre o peito como que tentando acalmá-lo à medida em que ele sobe e desce, quem sabe a tentar acalmar o meu que bate ainda que tranquilo numa fúria desmedida de ilusões..., naquelas que tenho contigo.
E por mais que tente jamais conseguirei dizer-te como me sinto, o quanto te amo. O quão certa estou de que quero passar a minha vida a admirar-te, a adorar-te, enquanto dormes..., porque quando o faço a minha alma descansa ao teu lado e também eu adormeço contigo, em ti.
Pudesse eu passar todas as eternidades de mim, como neste instante, a amar-te assim tanto!


("Gosto de ti desde aqui até à Lua. Gosto de ti desde a Lua até aqui. Gosto de ti...simplesmente porque gosto!"
E gosto mesmo. Muito. Gosto-te tanto que nem te sei dizer que te gosto porque me parece pouco tudo quanto te diga. Quero amar-te e dizer-to todos os dias, não só com palavras, mas em cada olhar, em cada sorriso, em cada abraço, em cada beijo, com toda a minha alma e com tudo de mim. Quero realizar contigo os teus sonhos...porque tu és o maior e melhor dos meus. Amo-te, AB! *)


Ah! E temos que te arranjar outra sigla, tendo em conta que não te posso dizer o nome. =(  Digamos que há quem possa interpretar 'AB' de forma errada.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Origem


Não é fácil criar.
Sê-lo-ia talvez se antes não fora preciso criarmo-nos também. Mas é fundamental para a veracidade de todas as nossas criações que sejamos primeiro verdadeiros com nós próprios. E é árdua a tarefa de nos inventarmos. Constantemente sujeita a influências externas que por vezes vamos assimilando, até mesmo crendo, como partes de nós.
É complicado apagarmo-nos..., começarmo-nos do nada quando já muito fomos, quando tanto mais queremos ser.
Talvez se soubéssemos que há muito nos criámos, quando ainda não havia tempo que nos iludisse ou espaço físico que nos dispersasse, deixássemos de tentar percebermo-nos no que jamais seremos, de lutar por construir um ponto de partida que nos leve a terminarmo-nos.
Na verdade não temos fim. E o início de nós... Bem, esse sabê-lo-emos todos um dia... quando não mais houver dias. Não, não é de morte que falo. É de um estado diferente de consciência, menos sólido mas mais uno, menos realista mas mais verdadeiro. Um estado conjunto de almas sem quaisquer estados.
Falo do que o pensamento não nos permite imaginar e do que o sentir não nos deixa sentir. Falo do que sou, do que somos, exactamente por não ser capaz de saber sê-lo, porque em mim não consigo comportar a ideia de reduzir-me ao que aparentemente vou sendo, mesmo quando me abstraio quase por completo do mundo e de mim mesma, numa busca incessante de encontrar-me dentro e fora de tudo quanto existe.
Não, não é fácil criar..., criarmo-nos.
É doloroso o processo de nos retrocedermos para podermos avançar. Ridícula a sensação de existência quando é tão demasiadamente ténue a linha entre o visível e o invisível, o indizível.
E eu já me vi sem que pudesse deveras ver-me..., sem que alguma vez me tivesse dito.
Sei-me mesmo quando sei que jamais me saberei ser enquanto puder pensar-me, enquanto julgar sentir-me.
Se existo de facto é num ponto sem nome da existência, nesse mesmo ponto onde não sou porque nada é, onde somos porque nos criámos sem ter com que nos criássemos.
E a minha maior criação será talvez mesmo essa... Saber que já nada poderei criar porque jamais poderei, de novo, criar-me! 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sítio de mim



Persigo sóbria de mim, embebida em ti, as paisagens de um momento de sonho.
São verdejantes os campos onde cultivo o que sinto por ti, cristalinas as águas em que reflicto a tua imagem.
Como plano de fundo o arco-íris enquadra as nossas essências que se misturam numa coloração própria, singular de um beijo em que tanto se sente.
O céu... esse é negro, repleto de estrelas, pedaços de nós, espelho perfeito do profundo, das ilusões que vivo e revivo em mim quando te imagino. Contraste temporal onde a noite abraça o dia num só espaço, na nossa alma.
Fossem todas as emoções este sentir-te em mim tão emotivamente, este inspirar tranquilo do ser onde és tudo... Norte e Sul sem direcção, brisa suave e vento forte, maré sem gravidade, contrário espiracional do pensar-te.
E és sombra mesmo no escuro total de mim mesma..., luz da fantasia de cada passo que dou de encontro à felicidade de ser em ti.
Púdessemos nós evaporarmo-nos do mundo, abrir as asas e voar pelo universo uma da outra... longe de tudo e de nada..., saboreando somente o sorriso eterno de cada olhar em que por tanto nos perdermos tanto nos encontrássemos!
Um dia, meu amor... levar-te-ei ao colo até ao fim do caminho e aí adormeceremos na paragem do tempo, na realidade de um sentir infinito, no mundo que em mim criei para ti...

(Não temas o que te espera nesse mundo, o que em mim te espera... porque eu só quero fazer-te feliz! =) Amo-te, AB!) 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012


Sinto mesmo a tua falta!...
Preciso dos teus mimos, do teu olhar, do teu sorriso.
Preciso do teu cheiro em mim, dos teus abraços, dos teus beijos.
Preciso das tuas palavras e dos teus silêncios...
Preciso da totalidade de ti.
E preciso que me precises da mesma forma.
Preciso-te!...

 (Preciso que aceites tudo de mim... mesmo (e talvez até sobretudo) as 'lamechices' e que sejas igualmente lamechas. =) Não quero ter de forçar-me a precisar de mais nada ou ninguém quando és tudo o que preciso..., porque preciso mesmo. Deixa-me 'derreter-te' não só o coração, mas tudo em ti.) Faz de mim a tua derradeira pesca..., a única. *  
A verdade é que te amo, croma! *.*

terça-feira, 3 de janeiro de 2012





A que ritmo bate o meu coração por ti?
Que acelerada pulsação é esta que se apodera de mim quando num consciente sonho te imagino?
Que forças me controlam quando ao ver-te perco o controle?
Acordo completamente esgotada..., como se não tivesse sequer dormido, como se esta vontade de sentir-te me despertasse a um nível mais profundo cada um dos sentidos para melhor saborear cada instante contigo, para parar o tempo em cada um deles e aí perpetuar-me em ti, nesses beijos que a minha alma te rouba sem permissão tua... Mas mesmo em sonhos meus tens desejos próprios.
Se por momentos me procuras e te entregas, logo de seguida partes ao encontro doutras...
E eu, fico a observar-te, a querer falar-te e dizer-te para ficares, mas vais em frente... nem tão-pouco olhas para trás.
Não te impeço..., deixo-te ir...
Nem mesmo em sonhos quero que fiques sem quereres. Em mim, és livre!... Independente de qualquer vontade minha.
Desperta não sou capaz de me libertar assim tanto de ti. Na verdade, tenho ciúmes até do ar que respiras, do vento que te acaricia o rosto e te afaga os cabelos, da chuva que te humedece os lábios como se te beijasse... Porque quero ser eu os elementos cósmicos de ti... Quero ser eu a sentir-te cada passo, a guardar-te cada sombra, a adormecer em ti cada réstia de luz das estrelas.
Quero ser o teu mar, o teu céu, o teu tudo... E acima de tudo isso quero que me queiras da mesma forma, exactamente sem forma... porque o que sinto por ti não se explica nem descreve, sente-se apenas.

(A foto é da constelação de Oríon. Por muitos motivos são as minhas estrelas. =) Espero um dia poder olhá-las ao teu lado.)