E eu, prendo-me à memória de um momento passado..., à ilusão de um futuro imaginado por um sentir de sentido único.
Sou um universo de pensamentos enlouquecidos, de desejos vãos.
Pudesse eu ter-te dado aquele beijo que ambas, secretamente, naquela noite sonhámos realizar e talvez alcançasse a certeza de querer querer-te ou não.
Talvez então me apercebesse que não passaste de um instante contrário a esta vontade de buscar-te eternamente num tempo onde jamais existirás.
Definiste-me essência de ti própria e eu não passo de uma recordação que escolhes não lembrar, de uma ânsia que me fez palpitar-te no peito como se aquele olhar nos cativasse num espaço indeterminado de sermos.
Mas não fomos...
Talvez tenhas sido numa imagem alucinada da minha alma que idealizaste como concretização do que procuras há demasiado tempo.
E eu, intemporal, viajante crédula da perfeição de vir a ser, deixei-me, imperfeitamente, fazer parte de ti.
Agora sei que foi uma divagação minha que se recusa a concluir-te.
Talvez um dia, se alguma vez dermos aquele beijo, o esquecimento me faça relembrar-te de outra forma...,como sopro perfeito de um viver essencial que foste em mim.
E aí sim, talvez sejamos o que, hoje, só somos separadamente. Mais longe do 'eu e tu',... mais perto de 'nós'.
sou o sorriso de uma felicidade que não conheci outrora,
o êxtase de um sentir
que me transporta até à mais pura essência do ser...
ao teu encontro.
E em ti
me encontro e perco
a cada instante...
em cada beijo...,
em todos e qualquer um dos olhares
que me fazem verdadeiramente ver-te,
ser-te.
O que adoro
não é nada mais
para além de ti!
E tu...
Não,
não sei bem como definir-te.
Faltam-me as palavras
para descrever-te,
para expressar tudo o que sinto
a cada toque teu,
o quão estremeço
só por pensar em ti,...
ao imaginar a tua pele a adormecer-me os sonhos,
a tua respiração a acariciar-me o ser,
como se me deslizasse nas veias
e sobrevivesse
em cada poro meu sendo eu mesma,
simplesmente ao sentir-te.
Acordo
e em mim desperto a vida,
ao teu lado,
como se desde sempre te pertencesse...
como se o Sol ecoasse,
em género de melodia silenciosa,
em todos os recantos do meu ser
sempre que,
ainda adormecida,
me deparo com todo um universo de estrelas
ao olhar-te,...
sempre que te vou adorando.
Talvez naquele dia,
naquela noite,
no exacto instante em que,
sem me ter sequer apercebido,
naquele beijo,
me apaixonei por ti
algo tenha de facto mudado as cores do que sou...
Hoje,
sou, quem sabe,
a mistura de uma cor que se esvazia
preenchida pela cumplicidade de um amor
que temos vindo a partilhar,
envoltas numa bolha mágica
de loucuras e lucidez,
num momento eterno
sem qualquer espaço ou tempo que nos determine,
que nos limite
no efémero de um pensamento divino.
Até que ponto se conhece o desconhecido?
Em que cruzamento de nós
somos verdadeiramente únicos?
Talvez seja devaneio
ou vontade expressa de querer-te...
Mas a realidade é que só contigo respiro,
só em ti me sinto feliz.
Em tudo o que faço
te procuro...
pois só em ti
me faço perfeita.
Contigo,
o vazio preenche-se,
completa-se...
E no teu corpo
percorro os caminhos do universo
que me levam ao mais alto de mim,
como se deambulasse,
de sinal em sinal,
pela minha própria alma
ao alcançar-te.
No silêncio
escuto o som da tua voz
que me emerge
qual beijo de princesa encantada
num conto de fadas...
E então desperto
para mais uma vez olhar-te,...
para me apaixonar
por ti
um pouco mais.
Quando não estás
sinto a tua falta
em todos os recantos de mim...
como se o mundo não ousasse ter continuidade longe de ti,
como se as sombras do teu rosto
fossem os espectros das saudades que tuas tenho,...
como se apalpasse somente o vazio da tua presença quando te busco,
incansavelmente,
nas lembranças que guardo
de cada movimento teu,
de cada sorriso ou olhar,
de cada todo de ti.
Na minha pele
roçam os poros do teu ser,
como se te entrelaçasses na minha alma
a cada instante de mim
ou de quem vou sendo
ao amar-te.
Até no fumo dos cigarros
se reaviva a tua imagem...
em cada pensamento meu
que vai ao teu encontro,
sabendo-te presente em cada pormenor do que somos.
E por muito que nos magoem
os pequenos detalhes das diferenças
o certo é que sem ti não existo.
Não sei se és de facto a minha alma-gémea
ou simplesmente a pessoa que mais me completa
nesta vida.
Não sei se és o ideal da parte mais profunda de mim
ou a realidade que quero,
intensamente,
atingir.
O que sei é que não posso viver sem ti,
não consigo,
por muito que me faça forte,
estar bem sem um beijo teu,
sem esse abraço que me aquece por dentro
e por fora expressa o sorriso da minha alma
sempre que te sinto.
E sabes...
Se pudesse voltar atrás
faria tudo de igual forma,
pois os caminhos acidentados que percorri
foram os mesmos que me levaram a ti.
Se hoje me perguntasse
como naquele dia,
naquele primeiro instante,
se te conheço...
a resposta seria outra,
diferente daquele primeiro impulso de seriedade
provocado por um medo intrínseco do desconhecido...
Hoje,
dir-te-ia que és tudo quanto conheço,
todas as forças que me movem
no sentido do que realmente busco no mundo,
o ser perfeita,
perceber o universo para criar a fórmula de um Bem comum,
indestrutível,...
verdadeiro para qualquer pessoa, ser ou coisa,
completo na plenitude da Unidade
para todas e cada uma das formas da Energia
que assumimos enquanto almas.
Recordo-me do teu nome...
Começa com 'n' e termina em 'a' dizias-me tu.
N...A!
Nádia!
O começo do Tudo, o Nada!
A origem de mim...
O segredo de uma Atlântida perdida
ou a morada final
de algum género de deuses
que talvez sejamos,
no limiar do horizonte
ou onde nasce o ciclo de um arco-íris
que nos faz transbordar de nós próprias.
E vivo em ti,
marcando os trilhos da minha existência
no universo do teu ser...
Em ti...sou!
No teu corpo
percorro as regatas encurvadas e descendentes
que ascendem a obra-prima,
traçadas pelos montes desenhados
por um qualquer génio de arte renascentista
que se enamorou de ti,
e, enlouquecido,
extremamente lúcido,
te fez bela.
E quando te olho
é a tela de todas as partículas de energia
que o Universo contém,
pintada sob o fundo de um pano preto envidraçado,
que vejo...
é a infinidade de almas que compõem a minha
que alcanço
quando atinjo, contigo,
o sonho do que é estar,
verdadeiramente,
acordada.
Contigo,
sou o que nem mil palavras dizem...
Sou o reflexo do que vês quando te olhas ao espelho,
aquele sorriso completo
que se encontra somente em ti.
E sim...
Prometo amar-te para sempre e deixar que me ames.
Prometo fazer-te e ser feliz
em todos e cada um dos instantes da nossa vida.
Prometo dar-me-te e gostar-te meu amor,
porque a mais pura das verdades é que,
mesmo agora que tão longe estamos uma da outra,
de nós próprias e desse sentimento que nos fortalecia,
...ou por muito que o tente negar...
és o sorriso mais puro que em mim comporto
e a tua essência a calma que me tranquiliza.
O teu olhar continua a ser o derradeiro sonho...
E eu só existo...
porque te amo exactamente àquele primeiro ritmo!
(escrito em Fevereiro de 2011 por Micá Medeiros. Sim, sei que são só palavras,...mas estas foram as que mais senti desde sempre e até hoje ao escrever. Sei que nunca virás cá ler isto porque nunca te vou dizer sequer que isto existe, prefiro sair da tua vida silenciosamente. Mas tu sabes que:
'A ti, minha deusa,
essência de mim mesma...
verdade dessa felicidade que encontro
sempre que te olho e sinto...
A ti, Nádia,
dedico todos e cada um dos meus pensamentos
e os meus sonhos são somente teus;
como teu é também todo o amor que possuo...
tudo quanto em mim existe...
tudo quanto sou!'
Contudo, hoje é o dia em que te guardo, definitivamente, na prateleira da minha alma e para nunca mais te ler. )
Nesse beijo que demos, sem que os nossos lábios se tocassem, me sinto poesia verdadeira de um profundo desejo.
Quero-te tanto...
Quando os nossos olhares se cruzaram viajei, como cúmplice espectadora, pelos universos que existem em ti e embriagada, como que num delírio de absurda lucidez, transpus contigo as barreiras do invisível,... deambulei, contigo, por mundos inventados de contos-de-fadas onde sempre foste protagonista e eu personagem secundária desse querer ficar em ti eternamente.
E ainda hoje existo em ti. Neste sorriso que me fervilha no peito como pura ansiedade de poder um dia abraçar-te,... nesta mendiga vontade, que me acalma o ser, de desvendar os segredos mais fundos da tua alma, a tua essência.
Em ti me vou sentindo presente, inexistente de mim,... como que liberta de um qualquer sonho em que adormeço ao teu lado, em que te posso, simplesmente, sentir.
Espero, talvez em vão, por uma palavra tua que me silencie em ti, mas esta não vem... Escolhes não sentir-me.
E eu, nessa incerta certeza tua, vou querendo acreditar que talvez seja esse o teu modo de me sentires demasiado, mais do que alguma vez possas ter sentido alguém.
É mera ilusão minha... eu sei!
Ainda assim, continuo a buscar-te..., a adorar-te pelo que és em mim.
Talvez um dia, também tu, me busques em ti e queiras gostar-me como eu já te vou gostando...
Quando choras é um pedaço da minha alma que cai com cada lágrima tua...
Se o meu mundo não gira à tua volta é porque tu és o eixo que o faz sequer girar.
Se não me encontras é porque ainda não me procuraste em ti.
E eu, sorrio ao imaginar-te...
Recordo cada olhar teu, cada movimento do teu ser,... todas e cada uma das partes da tua essência que me aprisionou àquela noite, àquele instante em que quase fomos.
Por isso, somente tu me tens..., porque só contigo, mesmo sem ti, sou verdadeiramente feliz!
Cadência perfeita de uma qualquer melodia que a tua alma faz ecoar em mim numa simples ausência de som, de ser.
Durante o dia, adormecida, vou procurando por ti nos universos do sonho onde te encontro sempre,... onde a única realidade é este sentir, este sentir-te.
E à noite, desperta de mim mesma, longe da ilusão de pertencer-te, vou sendo simplesmente em ti. Nesse abraço que damos quando te olho no convés da imaginação e navegas por todas e cada uma das veias do meu corpo como se este fora teu desde sempre.
Fecho os olhos e encerro-me numa ilusão tua!
Abro as asas e, qual anjo ou fada, voo pela fantasia de encontrar-te, de estar ao teu lado em cada respirar teu, em todos os teus sentidos,... sentindo, contigo, como se foras eu mesma.
Então, sei que alucino... Que me perco nas divagações de um pensamento que ainda não tiveste.
E em ti, inexistente de mim, vou te sendo um pouco mais...
Estendo a mão numa vã tentativa de alcançar-te, mas és apenas um espectro de mim mesma.
Só na minha alma existes realmente!
Tudo o resto que te julgo ser são meras poeiras de sonhos malditos que não cheguei a sonhar.
Acredito-te e és somente mais uma máscara de uma qualquer ilusão minha que criei outrora quando pensei ter-te visto a essência.
Sem sequer saberes vais aos poucos colando os pedaços de mim para logo de seguida me voltares a despedaçar.
Não posso querer ser em ti quando por ti própria já és mais do que é possível ser-se.
Tens o Universo para desvendar e nem vês que ele é a totalidade de ti..., que o que procuras já encontraste.
E eu espero-te, pacientemente, quando sei que jamais virás.
Tens em ti todos os amores do mundo e ainda assim és incapaz de amar-me...
Não te posso definir... o teu ser é demasiado infinito para comportar em palavras.
Por isso, neste ruidoso silêncio de querer-te, vou-te permitindo seres em mim quando já és em tantas outras..., ilusoriamente divagando nessa absurda ideia de que, um dia, talvez me vejas em ti.