Sou um tanto limitada (ou opto por sê-lo) no que diz respeito a escrever a profundidade da alma, porque na verdade tenho um medo tremendo de aprofundar-me...
Prefiro descrever os sonhos que transformo na veracidade de mim do que a minha veracidade propriamente dita. Prefiro o abstracto ao concreto...,mas hoje quero falar-te um pouco de sombras, de ausências de cor, basicamente, de medos.
E os medos são exactamente isso, bases. São o ponto de partida de nós que nos fazem chegar tão simplesmente (adivinha!) a nós, aos recantos mais fundos de quem somos, mais fundo ainda do que esses mesmos medos que nos originam.
Seria de esperar que ao longo da vida os fôssemos ultrapassando, mas à medida em que o tempo parece passar (sim, porque a passagem do Tempo é só uma ilusão) vamos descobrindo que só aprendemos a lidar com eles (ou com alguns deles) e eles continuam bem cá dentro a multiplicarem-se, a tomarem novas formas, a transformarem-se eles próprios em novos medos. A essência de cada um deles essa mantém-se a mesma.
O que a maioria de nós teme não é o sentimento de perda, mas o vazio..., a certeza de existirmos sós. E nem é da solidão que temos medo, é da totalidade da nossa alma, de tudo quanto ela contém.
Do que temos medo é de não sermos capazes de fazer diferença, de passar pelo mundo sem deixar nele a nossa marca... Temos medo do esquecimento, de não sermos lembrados,... de não chegarmos a ser amados, de partir sem termos também nós amado com tudo de nós. E temos tanto, mas tanto para amar...
Temos tanto para dizer ao mundo que temos medo de nada chegarmos a dizer que seja realmente ouvido. Medo de existirmos sem termos de facto existido...
Por isso, pára! Deixa os teus medos de lado e vive cada instante com a intensidade de ser único. Desprende-te do que te prende em ti e liberta-te. Dá-te ao universo tão profundamente quanto ele se dá a ti. Fecha os olhos ao que te impede de sentir a brisa da manhã e abre-os à verdadeira essência da vida.
Não procures no teu reflexo o que tens para ver de ti. Vê-te através dos olhos dos outros, de fora para dentro e sê-te de dentro para fora. Só assim serás vista e verás também. Só assim não terás medo, porque em cada olhar saberás o tanto que és e farás com os outros sintam também o tanto que são para ti, em ti. E então, não precisarás de contar ou que contem a tua história, porque ela existirá por si só. Tê-la-ás escrito com a tua alma em cada gesto teu, em cada sorriso, em cada palavra que não tenhas sequer dito.
Medo?!
Medo é não ter nada a temer!...
(Cá está o prometido texto, Jessica. Desculpa a demora e a falta de fluidez, mas enfim... Espero que te diga alguma coisa.)