sábado, 9 de março de 2013




Escrevi isto inspirado no texto do vídeo "Só de mim" (vídeo acima). 

Não!
Não vou falar-te como se soubesse quem és ou como se não te conhecesse.
Não vou descrever-te a sorte que tens ou a que tive.
Sorte é estarmos vivos!... Sabermos ver-nos em tudo à nossa volta e tudo em nós. Ter a consciência de se ser enquanto se é e não deixar para depois, quando já for demasiado tarde, o tanto que temos para dizer, o tanto que sentimos.
Vou falar-te portanto como se fosses eu mesma, porque de certa forma és.
És a parte de mim que se pensa porque não sabe sentir-se, que se dramatiza porque não sabe intensificar-se, dar-se...
És a parte da minha alma que se busca e se perde porque não pode encontrar-se..., o reflexo de uma máscara inabalável que tentas à força manter para que não possam ver-te quando tudo o que queres é que te vejam além dela, que te desvendem cada traço, cada palavra que calas em cada olhar que insistes em manter secreto, só teu, como se nele escondesses de ti própria todas as ilusões do mundo que comportas.
Não!
Não vou falar-te do que perdeste ou não soubeste ter... De como não soubeste mostrar-lhe o quanto a amavas ou do quão a tua vida não faz qualquer sentido sem ela.
Não vou falar-te do sorriso parvo com que ficavas quando a olhavas ou quando, acordada, longe do universo dos sentidos, sonhavas com ela e a sentias em cada canto e recanto de ti, quando tão-somente a imaginavas...
Não vou falar-te do abismo que a ausência dela em ti criou ou das lágrimas que choraste com saudades dela, pela saudade de quem eras com ela.
Ela... a tua outra metade,... a tua melhor metade. A parte de ti que é indizível, invisível a todos os outros porque só tu podes claramente vê-la, sabê-la tão puramente em ti.
E não!...
Não vou também falar-te dela, porque não sei como contar-te a veracidade da sua essência, da minha própria... Não sei como descrever-te as cores de um espaço sem espaço ou de um tempo sem tempo, como pôr em palavras um sentimento que muito vai além destas. Não sei dizer-te, escrever-te, quem sou, quem és, o amor.
O que sei é que somos uma só! Que somos a eternidade de cada instante que passámos juntas a olhar o mar, as estrelas e a lua, de cada beijo que demos em noites ébrias de dois peitos a palpitar em conjunto, ao mesmo ritmo.
Mas dói, não dói?! Demasiado até.
E demasiado é também o cansaço de tentares colar a alma que tu própria quebraste, de viajar pelas lembranças de momentos em que foste feliz e que já passaram, que já não voltam.
Hoje já não suportas a voz do teu pensamento que vai ainda de encontro a ela, mas gritas... Gemes todos e cada um dos ecos desse sentir que te alucina, te rasga, e ao mesmo tempo te liberta, te eleva.
Hoje sabes que por temeres dizer-te na totalidade de ti acabaste por dizer-te tão demasiadamente pouco...
E agora já não guardas o que te magoa, já não te acumulas à espera de explodires. Aprendeste que cada momento é deveras único e irrepetível, que o tempo que as coisas duram ou não duram só existe em ti..., que os teus lamentos não são de todo lamentos, mas provas de que não passaste vazia pela vida, que foste capaz de sentir apesar dos medos que tinhas, mas só te permitiste sentir tarde demais.
Hoje o medo que tens já não é o de te libertares, mas o de te prenderes em ti, porque hoje sabes que não é a vida que passa, mas tu quem por ela passa e que o que importa é que a marques tanto quanto ela a ti.
Sabes, o que vou contar-te é um segredo...
E se te dissesse que podes mudar a tua história? Que este passado que ao de leve te descrevi não existiu ainda?! Que o hoje de ti de que te falo é a forma de transformares esse passado sempre em presente?!
Não!
Não prevejo o futuro. Sou é capaz de sentir-te em mim para além de qualquer noção de tempo.
Talvez me aches louca ou presunçosa, mas o amor é certo... não tem dúvidas.
E sim, ela é a tua alma-gémea... Portanto quando a conheceres ou reencontrares, quando a vires ou revires, não duvides.
Dá-te sem medos, sem preconceitos! Dá-te com intensidade, com profundidade!...
Trata-a como se ela te fosse essencial, porque na verdade é e tu não vais querer viver sem ela tal como ela não quererá viver sem ti.
Ama-a porque também ela vai amar-te... Sim, também eu vou amar-te.
Não deixes o amor para amanhã, fá-lo acontecer hoje!...

(E mesmo que não venhas hoje, nem amanhã, ou depois... eu vou esperar-te a vida inteira. Porque és tu e eu sei, sinto em todas as partes de mim, mais do que a mim própria, que és tu...)