segunda-feira, 3 de junho de 2013

Amores perpétuos

Há muito que te amo, que contigo sonho...
Sou tua desde aquele primeiro instante e desde então que não sou, que não sei ou posso ser, sem ti.
Descobri-me, encontrei-me, em ti. E hoje, ao perder-te... contigo me perdi.
Deixei de ser, de ser-me, pelo tanto que foste, que és ainda, que serás talvez sempre, para sempre, em mim.
Não sei esquecer-te os traços, o olhar, a alma.
E que alma a tua!... É a essência do Universo que em ti vive. E em ti, contigo, palpei a eternidade.
Tudo quanto existe é em ti, dentro de ti, por e para ti, que existe.
Sem ti tudo é tão simplesmente nada... E ser-se nada, sem ti, é já ser-se tanto, demasiado... Demasiadamente pouco numa existência sem sentido. Porque é só em ti, contigo, quando te sinto, que sinto, que me sinto.
É no arco-íris dos teus olhos que aos meus as cores ganham vida e a magia acontece, no silêncio do amor que calas num abraço e o palpitar do peito te denuncia que te oiço verdadeiramente a voz,... nos beijos que te desvendam as vontades.
As palavras, essas, mentem-me, fingem não sentir, ser indiferentes. Códigos quase perfeitos que através de ti aprendi, minuciosamente, a descodificar. Poemas falsos que camuflam um sentimento verdadeiro... Ou talvez não. Talvez as palavras sejam, afinal, a tua verdade e o que deveras sentes, mentira.
Creio que nunca chegarei a sabê-lo realmente, nunca mo dirás.
Ainda assim fui, ao longo do tempo, aprendendo que as usas como defesa, como forma de tentares convencer-te que nada te abala ou derruba,... mas eu abalo-te, derrubo-te. E tu derrubas-me...
Fomos feitas uma para a outra sem que o mundo fosse feito para nós. Esse mesmo mundo que nos separa e te venceu o sentimento.
Não! Não foi o mundo que te venceu... Foste tu quem decidiu perder, perder-se, perder-me.
Eu não tive escolha. Nunca neguei, em mim, o quanto te amo, por isso, sempre foste tu quem definiu os caminhos da nossa história e o destino desta.
Eu, limitei-me a saboreá-la intensamente quando e enquanto me foi permitido vivê-la.
Limitei-me a amar-te sem limites.
Hoje, limito-me a esperar por ti.
E sei que não vens..., mas a alma, a parte de mim, essa totalidade de mim, que vive em ti, pede-me para que te espere ainda, para que continue a amar-te mesmo quando preferes pedir às estrelas para deixar de amar-me.
Que elas te oiçam e, nessa ausência de sentir-me, possas ser, finalmente, verdadeiramente, feliz!
Que nesse desejo elas possam também concretizar o meu e nesse mesmo dia, quando não mais me amares, me arranquem do peito o coração e me suguem a alma nas lágrimas que os meus olhos por ti choram, os mesmos benditos e malditos olhos que me fizeram por ti, naquele dia, apaixonar-me para sempre.
Pudesse eu nunca ter-te visto!
Hoje, só espero que nesse dia, ao morrer, possa eu então, aprender que é possível existir, amar, sem ti!...

4 comentários:

  1. Depois da nossa longa conversa desta madrugada, que posso eu dizer-te?
    Tudo aquilo que te disse já haveria sido afirmado pelo meu olhar, pelo meu desejo de querer alcançar muito mais que a realidade. Realidade essa que não passa de meras ficções mentais, que nem eu mesma consigo descodificar.
    Adoro-te por isto, por aquilo e por tudo o resto. Porque, para mim, és alma! És algo que soletrado não daria em palavra nenhuma! Daria sim, numa história... E que bela história!
    Grande personalidade tens tu, Micá! Grande visão do real a tua.
    Como já referi (várias vezes até), há algo na tua escrita que não se pode explicar... pode apenas sentir-se! E o que somos nós sem sentir? Meros seres, sem prazer.
    Esse amor tanto foi tudo como nada, o mais interessante é isso!
    Adorei mesmo, asério! =)

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  2. Pudesse eu dizer-te, Jessica, o quanto me abraçam as tuas palavras!...
    Tens sido mais importante para mim do que alguma vez julgarás. A sério.
    Também tu tens uma alma enorme, cheia de sentimentos, de sentidos aparentemente sem sentido, mas que te traçam como és... E és simplesmente tu. Simplesmente extraordinária.
    Obrigada pelo quanto me tens ajudado mesmo sem saberes talvez. =)

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  3. E, como sempre, essa tua capacidade fantástica deixou-me embaraçada, sem saber o que dizer. A verdade é que se faço o que faço é com o maior dos gostos, com a mais desejosa vontade de ver-te ganhar um sorriso, apenas porque sim, apenas porque me limitei a comparar "funcionalidades" duma cadeira com as de uma mesa. São essas pequenas (grandes!) coisas, esses pequenos pedaços de tempo, que nos fazem pensar... que nos deixam boquiabertos com a veracidade daquilo que vivemos (se é que, na realidade, o vivemos mesmo).
    Ainda bem que posso ser algo para alguém que me é muito.
    És uma grande pessoa, admiro-te por isso e sabes bem disso. =)

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  4. "Pudesse eu nunca ter-te visto!" Feliz serias esquecida do que sentiste? A verdade devora-nos o ser mas... a feliz contradição do sentimento faz-nos sentir profundamente tudo o que julgamos perdido.

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