sábado, 19 de maio de 2012

Sentimentos pensados

De vez em quando anulo-me pela soma de todos os factores que me subtraem de mim mesma, que me dividem o ser em multiplicações de nada.
E como dizer nada do Nada se ser nada é ser tanto?!
É uma luta constante esta que travo comigo própria no limiar da loucura e do abismo de uma sanidade que por vezes me escapa. Sim... é maior, mais sério e dolorosamente envolvente, o vazio de se ter consciência do que a falta dela.
Pudesse eu jamais ter aprendido a pensar nas coisas e a felicidade talvez não fosse em mim só um pensamento! Talvez se não a pensasse pudesse deveras senti-la e sentindo-a, sem sabê-la, me soubesse feliz.
Assim, e porque me penso, prendo-me ao que me sei ser sem conseguir, por isso, verdadeiramente sê-lo.
Nem o que sinto me sabe a sentir nem o que sou incapaz de sentir existe com algum sentido em mim a não ser o de que não sinto.
Ter-me-ão, um dia quem sabe, enclausurado, num qualquer ponto de mim que agora não alcanço, os sentimentos.
Hoje, só por ti, por existires, me é sequer permitido pensar neles, pensar que de alguma forma ainda os tenho, porque quando te olho sou capaz de sentir-te a alma, como se fora a minha que, num qualquer momento de mim, perdi.
E não sei, por muito que pense sobre isso, como foi a minha alma ter contigo ou se terás sido tu a capturá-la naquele primeiro instante em que te vi, mas a verdade é que a reencontrei em ti, que ela em ti e só em ti, agora, reside.
O que sinto é portanto através de ti que sinto, do que sentes.
Talvez por isso te precise tanto, precise tanto que sintas..., porque se em algum momento nada sentires também eu nada sentirei. E eu existo para sentir... Existo, verdadeiramente, para sentir-te!

2 comentários:

  1. "E eu existo para sentir... Existo, verdadeiramente, para sentir-te!"
    Muito bom, sim senhora!

    ResponderEliminar